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Futuro do Passado

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Os amantes da língua portuguesa, possivelmente, já fizeram a conexão do título com os tempos verbais que estudamos na escola. O futuro do pretérito do indicativo é utilizado quando queremos expressar algo que poderia ter acontecido após alguma situação passada. Por exemplo, caso você tivesse ganho na megasena, você estaria na praia. De certa forma, projeta futuros possíveis como consequência de fatos que não ocorreram.

A previsão do futuro é um dom que possui seu ápice nos autores de ficção científica. Muito mais que em qualquer cientista,  técnico ou especialista. Os escritores têm um grau de liberdade maior de pensamento, porque não precisam demostrar que suas previsões são factíveis. Quando narram viagens espaciais em velocidade maior que a da luz, não tem nenhum compromisso em demonstrar que isso é ou será viável. Esse livre pensar, a meu ver, possui um papel fundamental na evolução da ciência, pois estimula estudos e pesquisas em direções que, sem os ficcionistas, talvez não ocorressem.

Alguns dos mais famosos, fizeram previsões verdadeiramente fascinantes no passado, que já se transformaram em realidade. Arthur Clarke previu a Internet, as Telecomunicações, Cirurgias Remotas, Inteligência Artificial e muito mais. Encontrei, vasculhando a Internet, um vídeo de 1974 com essas previsões. Isaac Asimov, por sua vez, imaginou, muito antes de acontecer, o micro-ondas em nossas cozinhas, a fibra ótica, a internet, os microchips, as TV de tela plana e tantas outras inovações. Já mencionei, em artigo anterior, que quem quiser se aprofundar em Inteligência Artificial deveria ter como leitura obrigatória as três leis das robóticas e as muitas histórias criadas por Asimov sobre elas. Uma riqueza sobre os impactos do cérebro positrônico, denominação utilizada por ele, na humanidade.

O filme de Volta para o Futuro também merece destaque, porque trouxe vislumbres sobre nossas vidas atuais.  Drones, óculos de realidade virtual, ligações por vídeo, biometria, casas inteligentes são exemplos onde a criatividade se materializou. Por outro lado, a produção cinematográfica errou em relação ao carro voador, ao conversor de energia, à jaqueta tecnológica e, principalmente, na essência da história, à viagem no tempo.

A propósito, não conheço nenhuma teoria minimamente aceitável sobre viagem no tempo. Os autores adoram, mas sempre caem em ciladas inescapáveis, tornando os enredos sem sentido. A única exceção, que preserva a solidez da história,  é de um conto antigo, chamado Ondulações no Mar de Dirac, de Geoffrey A. Landis. Nesse caso, o inventor da máquina do tempo consegue voltar ao passado, mas nenhuma de suas ações possuem qualquer influência sobre o presente, o que evita as contradições corriqueiras do tema.

Em Star Trek temos um grande conjunto de previsões que ainda não ocorrem, embora tenham sido projetadas para um futuro mais distante. É o caso do teletransporte, dos escudos de energia, dos sintetizadores de alimento, do tradutor universal simultâneo, além do universo povoado por diversas raças alienígenas inteligentes. Gene Roddenberry, o criador dessa magnífica obra de ficção científica, por sua vez, teve vários acertos, dentre os quais, os mais citados são: o celular, o computador pessoal, o tablet, a tomografia e a ressonância, o GPS, as memórias USB e as telas planas gigantes.

Pandemias também já foram alvo de inúmeras obras. Com maior ou menor influência na sociedade. Claro que fizeram maior sucesso aquelas com cenários apocalípticos. O fato é que se somarmos as criativas mentes do século XX, precisaremos admitir que, quase em sua integralidade, vivemos hoje um mundo bem parecido com o que eles previram. Vivemos o futuro do passado. Faz tempo que não encontro elementos realmente novos de inovações para o futuro, que ainda não tenham sido previstas por esses gênios ficcionistas. Vejo derivações, particularidades, consequências sociais, mas nada realmente inédito. Talvez ainda vivamos mais algumas décadas no futuro do passado e apenas teremos um vislumbre de um futuro do presente quando as previsões forem feitas pelas Inteligências Artificiais. No entanto, se você não é aficionado em Ficção Científica e quer saber de previsões com maior base em pesquisas e estudos, pode procurar na Internet o que diz a Singularity University.

A previsão mais distante é para 2038, e estou apostando que vai ocorrer mais perto de 2050. Quem viver verá.

O dia a dia já não é mais reconhecível – a realidade virtual e inteligência artificial alavancam todas as partes da vida humana no mundo inteiro.

Singularity University”

*Jeovani Salomão é empresário do setor de TICs e ex-presidente do Sinfor e da Assespro Nacional.

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